domingo, junho 03, 2007

Um ou dois Poliedros de cristal



Um ou dois Poliedros de cristal.
Você é musa divina de robustez. Estou desvencilhando-me de compromissos terrenos, para vir a encontrá-la no âmbito do que chamamos de arte, se não debruçado sobre sua carne azul previnca a saborear seus olhos de olho-de-boi, determinados e imperiais, pelo menos olhando você passar, ao longe, segurando tintas, lavando pincéis, negociando estrelas.
Você é Deusa de frascário. Estou aqui com minhas idéias e meus afazeres e, entre um descanso e outro, sonho. Sonho que me pinta o rosto com apenas um toque dos dedos na tela, sonho que me fala de alguém, sonho, estupefato, ao ouvi-lá dizer-me que não sonho e que aquele retrato que me apresenta sou eu vivo de antes, também, do aqui e, quem sabe, do porvir.
Você é mulher vegetal de fraterna pureza e transparência em poliedro. Estou andando e conferindo os passos. Um exercício do presente. Cambaleio, ando a bordejar. Não por fraqueza mas em busca da experiência, pendo para um lado e para o outro fingindo movimentos sem equilíbrio, gracejando com a estabilidade. Dou pulinhos compassados como quando era criança nas vizinhanças barrentas de Engenheiro Goulart. Espanto um cachorro bonzinho, dissimulando-me de monstro fingido, balançando as mãos no ar, oscilando daqui para ali e só pensando em você. Quando paro e respiro ocupo-me de acender velas para as boas almas do cruzeiro, que fica ali no fim da rua e que serve muito bem para congregar esperanças.
Você é espelho biselado donde atento a me ver, sob efeito de algo dito anteriormente, buscando procedência. Ah! essa luz.

4 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Compreendo sua arte...
E me surpreendo a cada leitura...

Mulher de Cristal, Azul


"A arte tem uma maneira oblíqua de dizer as coisas, buscando zonas obscuras, a dos naufrágios. A realidade é importante, mas o filtro da arte é muito mais." (Antonio Tabucchi)

10:58 AM  
Blogger ANALUKAMINSKI PINTURAS said...

Poliedros de cristal... e penso em dois ou três poemas, ou numa série deles, ins-pirados-espelhados em teu texto, delicado, oblíqüo (como escreve o sensível anônimo), penso e sinto os raios luminosos atravessando a pele das palavras, as paredes, os sentidos... Luz azul, estrelas em profusão de amores e asas dançantes no espaço etéreo infindo, cosmos constelado de cores cintilantes, costuradas lágrimas neste tecido escuro-azulado, transparências que se confundem em delicados diálogos entrelaçados por fios de poesia...
Sim, pincelarei os poemas, as telas, reinventado espaços e possibilidades , matizes, sensações, melodias... Toques de sonho, de maciez, de magia, em cada pedraria assimetricamente desenhada, em cada curva pincelada, em toda a tela acariciada pela alma que, apesar e por causa de tudo, jamais desiste de acreditar, na azulada luz, na beleza cristalina, no tilintar dos sinos dos ventos das flores das cores que cantam embalando o ser...

5:27 AM  
Blogger dade amorim said...

Por uma dica de Ana Luísa vim visitar seu texto - tão delicado, tão poético - e estou contente de ter vindo. Um grande grande abraço, Rufo.

10:59 AM  
Blogger ANALUKAMINSKI PINTURAS said...

Um beijo poliédrico polialado, Rufo!

3:42 PM  

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