domingo, julho 13, 2008
quinta-feira, julho 10, 2008
"O Patrono"
Ter por perto quem dedicou-se por toda uma vida as coisas boas de ser gente para defender, sem intenção, suas causas, suas idéias. Ter um amigo assim, ter um defensor assim, ter um protetor assim é ter um Santo Padroeiro. Viva nosso Patrono, Manuel Davanzo
•Rufo e Manuel Davanzo, clicados por Mira Serrer Rufo em dia de visitação ilustre
domingo, julho 06, 2008
"Recado dos deuses"

Gabriel Rufo- Debate de Idéias com Rufo.
"A Casa, fotogrametrada"

Acompanho a Casa. O leão me acompanha, pois é assim que compreendo a força emprega da na captação de uma imagem. Se a perco fico sem folego para as próximas. Antigos trabalhos chocam-se com os novíssimos que revesam de lugar. Esses trabalhos saem dos pacotes para a parede; da parede para os pacotes; dos pincéis para as telas e eu estou lá para clicá-los, para eternizá-los em seus muitos momentos novos. Essas imagens mudam de lugar mas eu as persigo. Elas brincam comigo, sei disso. Aparecem e se escondem, mas não escapam. Não conseguem se ocultar de mim, pois sou agente dessa história. Sou a fotografa da casa.
Mira Serrer Rufo- Debate de Idéias com Rufo: "A Casa".
"depois finaliza"

“Falar sobre arte significa, sobre tudo, convencer a todos; dar sentido, norte, um rumo; fazer crer no conjunto exposto e comungar de uma mesma idéia.” diz Rufo.
•São belas essas suas próprias palavras, porém, para ele, o dono delas, o mais importante no trabalho de busca pela arte não foi somente o de fazê-la, ou compreender como que pessoas acreditassem na conquista de formulações estéticas ou mensagens espirituais, um fato de certo, mas sem dúvida, novíssimo em suas vidas, como o foi para a minha que tento captar esse universo de acontecimentos. Porém, insiste Rufo, "fez-me ver o que pensavam os filósofos a respeito dos fenômenos que se nos apresentam sobrenaturais o que nada mais é, constato, do que as sensações que nos vem antes do pensamento, nesse meio tempo cria-se. As sensações são formuladas antes do pensar a ARTE. Não destruir essa sensação é permanecer na ARTE. Ao artista chegam os sentimentos primeiro, fontes delicadas do saber fluem livres, são porem invisíveis mas gratificam o cérebro. A ARTE, ou o fazer ofício, é a concessão de um certificado de avaliação cósmica que exprime a concordância com um conjunto de padrões previamente instituídos por características dos mistérios da natureza."
Essa é sua fala ininterrupta e depois finaliza sem prestar a atenção nas minhas interferências "Acreditar a partir de um gesto é uma nova idéia de qualidade vivencial que combina segurança intima, ética profissional, responsabilidade e qualidade no atrevimento. Mas, a missão, imposta a mim, de fazer com que todos passassem a ver com clareza as infinitas possibilidades que esse fato, o da ARTE para todos, encerrava, quanto aos acontecimentos reais acrescidos de arte inata, presentes diariamente em suas vidas, tanto pessoais quanto, igualmente, conjunturais era, é e será sempre um grande desafio." É assim. Lentamente consigo entender essas telas.
Taís Wonder Grimme - Debate de Idéias com Rufo falando.
"É o que ele diz"

Quais os fatos básico que determinavam aquele meu procedimento? Até então eu não havia atentado para a complexidade da tal proposta. Mal sabia das definições básicas que encerram o fazer artístico. Fui a luta. Resolvi-me primeiro em fazer o que se chama de “andar” segundo definições resumidas um processo contínuo e sistemático que permite a comparação do desempenho das organizações, relevando-se a qualidade e também a sua superação, ou seja, um meio para se atingir processos de melhoria na ARTE que se apresenta. Aos 14 anos sai em busca de informações a respeito do tema. O mundo estava diante de mim. Procurei informar-me sobre esses aspectos múltiplos, pintando, fazendo artesanato, desenhando e me perdendo em longas viagens, deparando-me com um tema ainda muito novo e carente de disponibilidade das informações. Procurei livros, mas não obtive sucesso, não conseguia lê-los até o final ou esquecia o que tinha lido na página anterior – depois vim a saber que a prática da leitura elimina esses inconvenientes. Informações referentes aos mestres me encantaram, mas eram ou estavam escassas. Nas andanças e paragens passei a visitar diversos locais, e aí sim, comecei a perceber que havia uma diferença. Desde minha chegada a ateliês improvisados até setores especializados, como museus ou galerias, tudo soava diferente, mais limpo, mais claro, mais adequado e aquilo me chamava muito a atenção. Passei a perceber profissionais orgulhosos de suas funções, um certo brilho em seus desempenhos. Um jeito seguro de falar e receber, de vestir, com fé, a compadecida missão da ARTE. Encantei-me com o barroco, os escultores em madeira, os vendedores de tapetes de palha, os fotógrafos, os músicos. Isso me despertou a atenção aumentando meu interesse pelo assunto ao qual estava predestinado. Foi exatamente nesse ponto que percebi a diferença causada por uma pessoa consciente de seu ambiente e de suas funções. Comecei a entender melhor e a me interessar em descobri mais profundamente as regras para esse trabalho de empenho que nada mais é que o de acreditar na intuição, nesse caso, a dádiva da ARTE.Percebi que havia uma satisfação em atender os anseios e os prazeres do fazer ARTE, um certo orgulho em mim dizendo que agora meu atendimento é o melhor, na própria maneira de expressão dos metais gravados, dos profissionais que conheci, em todos eles percebi uma segurança em orientar, em falar, em comunicar-se. Que ARTE!
Sussana Hojas Herrera- Debate de Idéias com Rufo falando.
"A Casa"

Miriam Lopes - "Movimento Poético: Percepções ao Caminhar"
sexta-feira, julho 04, 2008
uma tarde, ao entardecer

Luiz Carlos Rufo - Debate de Idéias com Taís Wonder Grimme.
por onde alguém deve seguir

"Um violino toca fora de hora e de lugar. Tenho uma gentil lembrança de observações que ocorreram lá pelos anos de 1964, quando ainda tinha oito anos. Esse filme lento que ocorre em contínuas sessões em algum canto do meu cérebro ou de meu coração, às vezes um, às vezes o outro, entrecortado por rasgões escuros que se sobrepõem as imagens me diz, em uma mistura de perversos odores e sons longínquos que não mais posso definir, mas que sempre se insinuam doces e coloridos no plásticos do céu, do tingido do chão vermelho e esvoaçante, da luz fluorescente na varanda de minha casa – uma novidade para os meus olhos - me ensinaram o caminho para a vida, ou melhor dizendo, minha maneira particular de perseguir essa vida. Essas lições as apreendo por fidalgos instantes. No ofício que construí a partir de tentativa e erros, inclino-me, inexoravelmente, sobre materiais diversos e neles imprimo o que desejo, o que intuo e o que, certamente, nunca compreenderei e que vêm aparecer em formas e cores. Da neblina espessa das manhãs solitárias de minha infância, movimentando-se lenta por entre os montes e casas simples, que admirava caminhando em direção a escolinha de madeiras verdes, aprendi muito sobre a vida. Aprendi como ama-la sem pensar, como compreendê-la sem explicar, como acreditar em sua existência sem a necessidade de comprová-la, tão simplesmente como a lição da professora que cantava em classe "antes do ‘p’ e do ‘b’ temos ‘m’." Os acontecimentos se sucederam como páginas folheadas em um livro escrito. Os formatos da vida insinuaram-se categóricos em suas sensações, massas e fluídos. Muitas vezes, quando não estou ocupado com inúmeros afazeres, fico livre e relembro daqueles coloridos; daquela luz fluorescente brilhando, tímida, na escuridão do quintal; da terra fresca e molhada pela neblina insistente naqueles anos, meus olhos ficam aguados e me acalmo. Nesses momentos sei que ouço, que vejo, que sinto, sei que cheiro com o nariz apenas com o poder de lembrar, mas ainda não compreendo para que tanta vida e por que me alegro com ela e aceito suas quantidades."
Luiz Carlos Rufo - Debate de Idéias com Taís Wonder Grimme.
quinta-feira, julho 03, 2008
complexos sentidos

Não te enviei nada pois não tinha com o que trabalhar."
Analisando a frase, que quer de inicio como tema, "Transformando idéias em poemas!" adotada, percebo um certo engano na afirmativa. Tento explicar-lhe:
Redigir criando sentidos complexos, ou sem imediata explicação, não se afeiçoa a comemoração de uma entidade criativa séria. Essa fórmula é inadequada, antiquada e amadora, já fartamente usada em muitas outras ocasiões pela literatura desavisada. Digamos que tem suas bases semióticas calcadas em um engano, em um desavisamento, pois em nenhuma situação conhecida idéias previnem poemas, muito ao contrário, idéias expõem e deixam seu criador a mercê da capacidade do interlocutor entender o proposto, as vezes a humanidade leva séculos para compreender uma idéia. A idéia não se transforma em nada pois ela é o extrato de uma captação, de uma intuição. A verdadeira idéia constrange os ditames comuns; expõem seu inventor muitas vezes ao ridículo; após uma idéia todas as trajetórias são mudadas, todos os rumos corrigidos. Portanto a afirmação "Transformando idéias em escritos!" é infeliz no que diz respeito a filosofia que tenta encerrar. É como admirar a beleza de uma flor de plástico atribuindo-lhe predicados da natureza.
A palavra “idéia” tem como fundamento a filosofia. A palavra “escrevendo” e elemento de sustentabilidade com seu conceito nascido na contemporaneidade. Uma criatura com menos de 60 anos de existência tende a pretensão se quiser explicar esse fenômeno.
Finalisando, para extrair-se algo desse caminho deveríamos dizer que “A escrita proporciona idéias iluminadas”. Aí sim poderíamos achar a verdadeira frase para os próximos séculos.
Luiz Carlos Rufo - Debate de Idéias com Taís Wonder Grimme.