quarta-feira, agosto 22, 2007
"Convidada"

Luiz Carlos Rufo
"A Arte, esse gigante"

Poderia fazer cantar, uma após a outra, minha coleção de costelas, essas mesmas abaixo de minha espádua. Vejo nisso muitas vantagens que nos aproxima em paroxismo da criação. Um som vantajoso e retumbante em momento de maior intensidade adiciona uma disposição dirigida, pois segundo Aristóteles, somos o que fazemos repetidamente. A excelência não é um ato, mas um hábito. Martelando também se cria, pois não conseguimos refrear o empenho de golpes conseqüentes. Recitando, dizendo em voz alta, indefinidamente, também se canta e cantando assim veja-se a que ponto consecratório chegaremos. Para tanto relembro-me de o “Pequeno livro dos cornudos” do pensador Charles Fourier (1772/1837) que enfatiza sobre como se sofre de mal imaginário antes de se chegar ao real. Tudo isso antecipa em mim saudades do alvoroço do mar na orla de São Sebastião batendo por cima daqueles cascos pensando em não ir adiante parar logo em seguida, fixar-se.
(Luiz Carlos Rufo diante do dia que nasce muito além da orla em São Sebastião.)
foto de Mira Serrer Rufo sobre escultura de Rufo na Árvore
domingo, agosto 19, 2007
"Artista da Árvore"


Suzana Rojas W. Herrera, especialmente para a Árvore 637
"Quem volta de Portugal ..."

"Quem volta de Portugal, como eu, encontra, aqui na Árvore, uma obra de arte feita de gente e música, de talentos inesperados - como toda a história da Árvore-, de reuniões e leituras, de cores vivas agora representadas pela voz trinada de Miriam Lopes. Sons multiplos, iridescentes e melodiosos arrancados meticulosamente do piano por Nathália Barboza. Um baixo de estrondoso e rotundos sons, por vezes, prolongados de Robson Azevedo. Respiro e penso: é o tal "Madrigal" de que me fala, com entusiasmo, Rufo, sobre mais uma de suas adivinhações."
"Madrigal Árvore 637"

Na foto da esquerda para direita: Rufo, Miriam e Nathália.
Tais Wonder Grimme
"Madrigal": Nathália, Robson e Miriam.
"Música na Árvore"

O "Madrigal", oriundo das reuniões sobre Arte do Ateliê Árvore 637, realizou sua primeira audição pública, na SIPAT/USP, nesse mês de agosto. Formado por Nathália Barboza -piano-, Robson Azevedo - baixo- e Miriam Lopes - voz - o Madrigal encantou os presentes ao interpretar cações variadas e especialmente ensaiadas para a ocasião.
quinta-feira, agosto 16, 2007
"Entrevista"

"Corneta"

Comunico-me em altos brados pelo silêncio das peças. Há quem diga: apareça! Há quem fale: porquê tanto? Porém, em sigilo conversamos, assemelhando-nos pelos corredores por onde muitos passam, tanto nas vindas quanto nas idas. É feliz esse caminho. Esse caminhar é feito, todo ele, por nós. Que coragem! Um vai lá, outro já vem. Nada do que é mostrado é de autoria própria e nem está a serviço de outrem. Para o construído já havia previsão. Para o mostrado, fartos projetos e alusões. A verdade desse compartilhamento é a de que há muito o que se trazer, imensidões para se olhar, sonhos fantásticos para se escolher. Tudo nosso, mas de ninguém. Tem de ouro, tem de lata, carne e sal, mas é apenas disponível, acessível, quase de graça. No intento da escolha muita coisa se perdeu. Mas há muito pra mostrar, e tão poucos são os que têm tempo para ler, atentar ou deleitar. Corremos assim daqui para acolá. Confundimo-nos nas entradas; enrolamo-nos nos entremeios; despistamos, demonstrando uma certa sabedoria, já na tristeza do final. Ah! é tão doce, mas também tão sofrido. Custa entender. Custa tentar. Custa deixar, depois do tanto que se fez, para se ir.
"Corneta do Serafim" - gesso / 2007 / LCR
terça-feira, agosto 14, 2007
segunda-feira, agosto 13, 2007
"Onde e quando"

Onde e quando é paixão da verticalidade; é o amor pela filosofia da cebola: sou miolo, sinto-me acolhido por um dia poder vir a ser casca.
Que tudo seja sereno, diz "Onde e Quando", pois elevamos os significados e os signos transcendentes para que o anjo transpareça em cada homem.
Que tudo seja sereno, diz "Onde e Quando", pois elevamos os significados e os signos transcendentes para que o anjo transpareça em cada homem.
escultura: O Guardador - 2007 - Gesso - LCR
"Quando a arte restringe sua natureza ao próprio artista"

ESTROFE
És tu um jovem menino fofo, jactancioso!De inspiração porosa e de leves sonhos esparsos durante as noitesagitadas e precoces;Um trabalhador da pena mole, um vagabundo portador de genial talento elástico;Tens, oh! Anjo de elegância e requinte, lugar reservado no quintodegrau da escada descendente de meu rico trono que herdei da Arte.Lá, no quinto ponto de apoio revestido em mármore, ficarás, oh!Pugilista de Almas, por 637 dias consecutivos cumprindo o expedientede tuas declamações, escritos e iluminuras luxuriosas.Não haverá repetições ou intervalos em tuas falas, nem descansosregados a doces e licores, apenas a observação de muitos rostosestupefatos a indagar: Porquê?
ANTÍSTROFE
Em meu sonho vejo a linda árvore que sombreia um fauno concupiscente mostrando-me com luxuria suas brancas nadegas. De seus ombros torneados brotam tufos de lisos pelos dourados. Ele estica o braço e toca a criança que cai. Reparo que logo atrás dessa vêm outras. Pergunto-me: elas precipitam-se sobre a terra ou estão a voar? Compreendo que isso não é cair, mas descem bruscamente. Vejo que se divertem, mesmo o seráfico, esticando o braço, não pode tocá-las. Logo mais embaixo a água cristalina reflete seus vôos loucos e algazarrados. Esqueço-me das crianças e ponho-me a reparar mais atenciosamente, porém, nas sombras que se movem lentamente sob sua transparência. Será alguém que nada? Um mergulhador de longo fôlego? Apenas um peixe com características de um ser humano...talves os dois. Assusto-me de pronto ao ver que nas costa de tal criatura vem a reboque um robusto e velho leão, e é nessa parte que o sonho enegrece com fumaça. Passo alembrar de como poderia rabiscar imagens de mulheres ordenhadeira, aquelas que vestem tocas e têm as costas meio nuas prontas para se lamber com zelo, saboreando prazerosamente sem cuidados excessivos. Ah! lembrei-me que em algum canto havia uma banqueta com três pés.
EPODO
A última das três partes de que se compunham.
És tu um jovem menino fofo, jactancioso!De inspiração porosa e de leves sonhos esparsos durante as noitesagitadas e precoces;Um trabalhador da pena mole, um vagabundo portador de genial talento elástico;Tens, oh! Anjo de elegância e requinte, lugar reservado no quintodegrau da escada descendente de meu rico trono que herdei da Arte.Lá, no quinto ponto de apoio revestido em mármore, ficarás, oh!Pugilista de Almas, por 637 dias consecutivos cumprindo o expedientede tuas declamações, escritos e iluminuras luxuriosas.Não haverá repetições ou intervalos em tuas falas, nem descansosregados a doces e licores, apenas a observação de muitos rostosestupefatos a indagar: Porquê?
ANTÍSTROFE
Em meu sonho vejo a linda árvore que sombreia um fauno concupiscente mostrando-me com luxuria suas brancas nadegas. De seus ombros torneados brotam tufos de lisos pelos dourados. Ele estica o braço e toca a criança que cai. Reparo que logo atrás dessa vêm outras. Pergunto-me: elas precipitam-se sobre a terra ou estão a voar? Compreendo que isso não é cair, mas descem bruscamente. Vejo que se divertem, mesmo o seráfico, esticando o braço, não pode tocá-las. Logo mais embaixo a água cristalina reflete seus vôos loucos e algazarrados. Esqueço-me das crianças e ponho-me a reparar mais atenciosamente, porém, nas sombras que se movem lentamente sob sua transparência. Será alguém que nada? Um mergulhador de longo fôlego? Apenas um peixe com características de um ser humano...talves os dois. Assusto-me de pronto ao ver que nas costa de tal criatura vem a reboque um robusto e velho leão, e é nessa parte que o sonho enegrece com fumaça. Passo alembrar de como poderia rabiscar imagens de mulheres ordenhadeira, aquelas que vestem tocas e têm as costas meio nuas prontas para se lamber com zelo, saboreando prazerosamente sem cuidados excessivos. Ah! lembrei-me que em algum canto havia uma banqueta com três pés.
EPODO
A última das três partes de que se compunham.
ilustração: Adolphe William Biuguereau